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O empate sem brilho da Seleção Brasileira contra Marrocos na Copa do Mundo deixou mais do que pontos na tabela em discussão. A ausência de Endrick no time titular inflamou as redes sociais e colocou Carlo Ancelotti sob pressão, mesmo antes da bola parar de rolar. O jovem de 19 anos, campeão da torcida, assistiu tudo do banco enquanto Luiz Henrique e Matheus Cunha ocupavam os espaços ofensivos.
O debate é completamente legítimo. Afinal, Endrick é um talento formidável, jovem e promissor, com capacidade técnica para impactar qualquer partida. Questionar as escolhas táticas de um técnico faz parte do jogo e da liberdade que os torcedores têm. Porém, este cenário revela algo mais profundo sobre a relação da torcida brasileira com seus ídolos.
Primeiro, existe uma sede quase desesperada por um novo ídolo. O Brasil sempre buscou por aquele jogador único, carismático, que pudesse carregar a seleção nas costas e trazer de volta a magia dos tempos de ouro. Endrick, brilhante no Palmeiras e com passagem vitoriosa na Europa, preencheu este vazio. A torcida vê nele a promessa de salvação.
Segundo, há uma tendência perigosa de superestimar jovens talentos, depositando neles expectativas irreais. Com apenas 19 anos, Endrick ainda está em processo de adaptação internacional. Ancelotti provavelmente tinha razões táticas para suas escolhas — rotação, ritmo do jogo ou até mesmo preservação do garoto.
O problema não está em cobrar mais tempo do atacante em campo. O problema é quando essa cobrança se torna irracional, quando um empate gera crises de identidade porque um jogador não jogou. A Seleção precisa de estabilidade, construção coletiva e paciência com seus novos nomes.
Endrick chegará seu momento. A questão é se a torcida conseguirá acompanhá-lo sem transformar cada decisão do técnico em um filme de drama.
Fonte: Trivela
