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Carlo Ancelotti colocou um ponto final em uma era do futebol brasileiro. Na coletiva de apresentação da convocação para a Copa do Mundo de 2026, o técnico italiano deixou cristalino que a Seleção não será mais construída ao redor de um único nome — por mais brilhante que seja.
A mensagem ecoou especialmente pela presença de Neymar na lista e pela ausência de João Pedro. O atacante do Chelsea viveu temporada espetacular na Inglaterra: 15 gols na Premier League e desempenho que o colocava como uma das grandes sensações do futebol europeu. Enquanto isso, o camisa 10 do Santos acumula apenas 15 partidas em 2024, ainda em recuperação após lesão.
Durante o discurso, Ancelotti demonstrou segurança em suas escolhas, mas não escondeu consciência sobre as polêmicas inevitáveis. O treinador justificou suas decisões através de critérios coletivos e de desempenho sustentado, evitando apelos emotivos ou nomes que puxem multidões sozinhos.
Essa abordagem representa uma mudança de filosofia. Por décadas, a Seleção funcionou como órbita de astros — Pelé, Ronaldo, Ronaldinho, Neymar. Agora, pelo menos no discurso do técnico, funciona como um time onde todos têm responsabilidade compartilhada.
Claro que questões legítimas pairaram na coletiva. João Pedro merecia estar ali? Qual é o real status de Neymar no projeto? Ancelotti não ofereceu respostas que satisfaçam completamente, mas ofereceu consistência: cada decisão segue um padrão, mesmo que alguns discordem dele.
O Brasil chegará à Copa de 2026 com uma seleção montada em bases diferentes. Se isso funcionará no campo é conversa para depois. Por enquanto, fica a certeza de que Ancelotti sabe exatamente o que está fazendo — mesmo que nem todos concordem.
Fonte: Trivela
