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A seleção brasileira chega aos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026 com uma mudança radical em sua filosofia ofensiva. Pela primeira vez em décadas, a Amarelinha embarcou rumo ao torneio sem um meia clássico, aquele famoso camisa 10 capaz de orquestrar o jogo e ditar o ritmo das partidas. Uma decisão que reflete menos uma escolha tática de Carlo Ancelotti e mais a realidade do elenco à sua disposição.
Historicamente, o Brasil conquistou suas Copas do Mundo apoiado em cérebros do meio-campo. De Pelé a Ronaldinho Gaúcho, passando por Ronaldivaldo, sempre houve um maestro na zona central regendo a orquestra ofensiva brasileira. Ancelotti, porém, trabalha com um cenário diferente. Simplesmente não dispõe de atletas com as qualidades técnicas necessárias para assumir esse papel tradicional.
Em resposta, o técnico italiano optou por consolidar a pressão no ataque como arma principal. Em vez de esperar bolas filtradas de um meia criativo, a estratégia passa por asfixiar o adversário já na saída de bola, forçando erros e recuperações rápidas para disparos ofensivos. É um futebol mais frenético, menos baseado em toque e mais em intensidade e efetividade.
Essa mudança de DNA brasileiro causa desconforto em parte da torcida acostumada com o tiki-taka do passado. Mas há quem aponte vantagens: times organizados taticamente têm dificuldade em lidar com pressões coordenadas, especialmente quando o Brasil tem velocistas de qualidade no ataque.
O grande teste virá em campo. Se Ancelotti conseguir refinar essa pressão ofensiva, transformando-a em gols consistentes, a seleção pode surpreender. Do contrário, a ausência de um criador de jogos clássico pode cobrar seu preço nas fases decisivas do torneio.
Fonte: Folha Esporte
