Foto: Omar Ramadan / Pexels
A CBF oficializou: Matheus Cunha será o camisa 9 da Seleção Brasileira. A notícia gerou curiosidade imediata nos torcedores, afinal, vestir esse número é carregar um legado monumental — basta lembrar de Ronaldo Fenômeno e sua aura de goleador puro.
Mas aqui reside o grande debate: será que Cunha realmente é um centroavante nos moldes tradicionais? A resposta é mais complexa do que aparenta.
No Wolverhampton, antes de sua transferência para o Manchester United, Cunha conquistou destaque não como um “número 9 clássico”, mas como um ponta-esquerda versátil que evoluiu para meia-atacante. No esquema tático montado pelo técnico, ele funcionava como peça crucial atrás de um centroavante de origem, operando em um 3-4-2-1. Ou seja, sua força está em criar, driblar, desmarcar e apoiar — não necessariamente em finalizar como protagonista principal do ataque.
No Manchester United, a escolha pela camisa 10 reflete bem sua verdadeira natureza dentro de campo. Cunha é um criativo, um jogador que prospera quando tem liberdade de movimento e responsabilidade na construção do jogo.
O “estigma negativo” mencionado não é uma crítica ao atleta, mas sim um alerta sobre expectativas. A camisa 9 brasileira carrega consigo o imaginário coletivo de um finalizador voraz, de alguém que vive de gols. Quando Cunha veste esse número, parte do público pode cair na armadilha de esperar exatamente isso — e ele pode decepcionar não por incompetência, mas por exercer um papel diferente.
Essa é uma questão tática importante para Carlo Ancelotti considerar. Usar Cunha como um 9 “de fato” em campo, aproveitando sua mobilidade e criatividade, pode ser infinitamente mais produtivo do que forçá-lo ao modelo tradicional da posição.
O desafio está em sincronizar o número no uniforme com a função real na Seleção — e fazer o torcedor entender que nem todo grande jogador precisa ser um artilheiro clássico para ser decisivo.
Fonte: Trivela
