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A cada edição da Copa do Mundo, o mesmo debate ressurge nas redações e nas redes sociais: afinal, qual é a identidade real de um jogador que defende uma seleção diferente do país de origem de seus pais? A questão não é exatamente nova, mas ganhou proporções maiores nos últimos anos — e com ela, uma incômoda realidade que poucos ousam comentar abertamente.
Seleções sempre foram espelhos de suas sociedades multiculturais. Itália, França, Alemanha, Bélgica e até a própria Inglaterra construíram seus elencos com atletas cujas famílias migraram décadas atrás. Isso nunca foi grande problema quando se tratava de descendentes de europeus ou imigrantes de outras regiões consideradas “convenientes”. Mas quando o atleta carrega traços de origem africana? Aí o tom da conversa muda drasticamente.
O centroavante belga Romelu Lukaku bem resumiu essa hipocrisia em entrevista ao “The Players Tribune” em 2018. Com uma frase que ecoou por todo mundo do futebol: quando jogava bem, era simplesmente Romelu Lukaku, o atacante belga. Quando enfrentava dificuldades, a mídia apressava-se em mencionar sua herança congolesa, como se isso explicasse qualquer falha em sua performance.
O problema não está em celebrar a diversidade ou debater identidade nacional — essas são conversas legítimas. O erro ocorre quando a narrativa muda conforme o desempenho e, principalmente, quando a cor da pele do atleta determina a profundidade dessa análise. É discriminação mascarada de discussão editorial.
Enquanto o futebol mundial segue se beneficiando do talento de jogadores com múltiplas origens, precisamos ser honestos: o discurso sobre imigração no esporte só pode ser considerado genuíno quando for igualmente aplicado a todos, independentemente de sua ancestralidade. Caso contrário, continuaremos vendo a mesma injustiça se repetir a cada torneio.
Fonte: Trivela
