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Há mais de 50 anos, o Palmeiras vivenciou uma era dourada que marcou gerações de torcedores e consolidou uma das maiores dinastias do futebol brasileiro. A Segunda Academia, gestada no início dos anos 1970 sob o comando de Oswaldo Brandão, reuniu talentos que permaneceram juntos durante anos, criando uma harmonia tática e uma identificação com a instituição que hoje parece pertencer a outro universo.
Entre 1972 e 1974, o Alviverde colheu os frutos desse trabalho magistral. Conquistou o Campeonato Paulista de forma invicta em 1972, o mesmo ano em que levantou a taça do Campeonato Brasileiro. No ano seguinte, repetiu o feito na competição nacional, consolidando-se como força dominante do país. Em 1974, ainda arrematou o Paulista e o prestigiado Ramón de Carranza, troféu internacional que reforçava a qualidade do elenco.
Agora, essa história ganha novos contornos. O jornalista Matheus Trunk resgatou em detalhes essa geração extraordinária através do livro "Fragmentos de um sonho – A Segunda Academia do Palmeiras e o Torneio Ramón de Carranza", lançado em 2026 pela editora Letras do Brasil. A obra vai além da simples catalogação de títulos e jogadores, buscando compreender o contexto futebolístico da época e o que tornava aquele modelo tão eficaz.
O plantel comandado por Oswaldo Brandão não era apenas repleto de talentos individualmente brilhantes como Leivinha, Edu e Ademir da Guia. Representava, acima de tudo, uma filosofia de trabalho coletivo praticamente extinta nos dias atuais. O futebol mudou: menos paciência com o processo, mais pressão por resultados imediatos, transferências constantes fragmentando os elencos.
Resgatar a memória dessa Segunda Academia é, portanto, um exercício de reflexão sobre como construímos nossos times e que legado deixamos. É entender que nem toda glória se mede apenas em troféus, mas também na forma como um grupo se une em prol de um ideal comum.
Fonte: Gazeta Esportiva
