Foto: Franco Monsalvo / Pexels
Existe algo de cinematográfico na história de Gabriel Martinelli no Arsenal. Não é só pelo que fez em campo, mas pelo que sua trajetória representou para o futebol brasileiro na Europa. Um menino de apenas 18 anos, saído do Ituano com apenas 34 jogos profissionais nas costas, saltou direto para a Premier League em 2019. Sem empréstimo para se adaptar, sem passagem intermediária em liga menor. Simplesmente Londres, uma das competições mais exigentes do planeta.
Sete anos depois, Martinelli deixa o clube inglês de uma forma que deixa um certo vazio. Sim, ele sai como campeão da Premier League, um dos sobreviventes da reconstrução do Arsenal sob comando de Mikel Arteta, e acerta sua transferência para o Al-Hilal por cifra estratosférica: aproximadamente 70 milhões de euros, tornando-se a venda mais cara da história dos Gunners.
O número é impressionante. Faz dele o segundo brasileiro mais bem pago do futebol mundial, atrás apenas de Vinícius Júnior no Real Madrid. Mas há um porém que ecoa nos corredores de Londonderry: a sensação de potencial desperdiçado.
Durante seu período no Arsenal, Martinelli enfrentou lesões graves que roubaram anos de seu melhor futebol. Quando estava íntegro, mostrava qualidades impressionantes: velocidade, técnica apurada e capacidade de desequilíbrio. Mas a consistência escapou. Nunca foi o craque inegociável do projeto. Sempre dividiu espaço, sempre ficou à sombra de outros nomes.
A ida para a Arábia Saudita marca um ponto de virada. Martinelli escolheu a segurança financeira sobre a tentativa de reconquistar seu espaço na Premier League. Decisão compreensível aos 23 anos, mas que deixa aberta uma pergunta incômoda: quantos gols, quantas assistências e quantos títulos ele poderia ter conquistado se as lesões não o tivessem assombrado?
O menino que chegou com tudo agora se vai. Nem herói, nem vilão. Apenas um talento que prometeu mais do que pôde entregar.
Fonte: Trivela
