Foto: Anastasia Shuraeva / Pexels
O futebol argentino vive um momento de efervescência com a descentralização do poder. Prova disso é o Belgrano de Córdoba conquistando seu primeiro título na história do clube, de forma emocionante e dramática. “O Pirata” virou o jogo contra o gigante River Plate nos minutos finais, marcando dois gols que garantiram a vitória por 3 a 2 e a consagração histórica.
Mas havia alguém que deveria estar celebrando intensamente naquela noite inesquecível: Cristian Romero. O zagueiro, criado nas categorias de base do Belgrano e natural de Córdoba, perdeu a oportunidade de estar no estádio vivenciando o maior momento da instituição em seus mais de 120 anos de existência.
A razão? Romero está em processo de recuperação de uma lesão no joelho enquanto se esforça para chegar em forma à Copa do Mundo. Sua agenda é controlada pelo Tottenham, clube onde atua na Inglaterra. E essa é justamente a questão central que devemos discutir: como transformamos jogadores em simples mercadorias, desvinculadas de suas emoções, histórias e raízes?
O defensor legitimamente desejava estar lá. A vontade de um filho da casa acompanhar o maior título do seu clube é completamente compreensível e natural. Porém, a realidade moderna do futebol não permite luxos como esse. Jogadores são ativos de seus clubes europeus, seus corpos pertencem a contratos milionários e suas decisões pessoais ficam em segundo plano.
É sintomático que a imprensa local tenha noticiado a intenção de Romero em comparecer. Isso demonstra como a situação é anormal: um ídolo do clube não conseguir estar presente no maior momento da instituição é considerável notícia exatamente porque é excepcional.
O futebol moderno perdeu espaço para a humanidade. Enquanto celebramos talentos espalhados pelo mundo, deixamos de lado as conexões genuínas entre jogadores, clubes e comunidades. Romero é vítima de um sistema que o vê como ferramenta de lucro, não como pessoa com sentimentos e ligações emocionais que importam.
Fonte: Trivela
