Foto: Laura Musikanski / Pexels
A China acaba de anunciar um feito que deixou o mundo do esporte em polvorosa: um robô humanoide desenvolvido pela empresa X-Humanoid conseguiu completar os 100 metros em 9,39 segundos, superando em 0,19 segundo o icônico recorde de Usain Bolt estabelecido em 2009.
Parece impressionante? Talvez não tanto quanto parece à primeira vista.
É verdade que Bolt marcou seu épico 9,58 segundos no Campeonato Mundial de Atletismo em Berlim, criando um feito que perdurou por 17 anos como o melhor tempo da história. No sábado passado (22 de agosto), o robô chinês conseguiu fazer melhor. Mas aqui está o detalhe que muda tudo: o máquina terminou sua corrida chocando-se violentamente contra uma parede acolchoada, caindo em seguida e sendo carregado por assistentes humanos.
Essa é exatamente a questão que devemos colocar em pauta. O atletismo, como conhecemos, é muito mais do que números registrados em cronômetros. É sobre resistência humana, superação, dedicação de uma vida inteira de treinamento e, acima de tudo, a capacidade do corpo humano ultrapassar seus próprios limites.
Quando Bolt completava seus 100 metros, ele mantinha o controle, levantava os braços em celebração e desfrutava daquele momento único. Um robô não celebra. Um robô não treina desde a infância. Um robô não vence a dor, o cansaço e a pressão psicológica.
A inteligência artificial e a robótica avançam rapidamente, e isso é admirável do ponto de vista tecnológico. Mas estabelecer recordes mundiais em modalidades humanas enquanto se colide contra uma parede é uma declaração mais sobre as limitações da máquina do que sobre suas conquistas.
O recorde de Usain Bolt permanece, aos nossos olhos e corações, como a marca que realmente importa. A da excelência humana.
Fonte: Folha Esporte
