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Quando o Arsenal finalmente ergueu o troféu da Premier League após 22 anos de jejum, em maio deste ano, a reação no futebol inglês não foi unânime. Enquanto muitos celebravam a reconstrução metódica de Mikel Arteta — uma equipe que evoluiu de candidata frágil para campeã resiliente — outros levantaram uma questão incômoda: será que os Gunners merecem estar no panteão dos grandes campeões da história?
A desconfiança ecoou nos estúdios de comentarismo muito antes do título ser confirmado. Paul Scholes, ídolo histórico do Manchester United, não poupou críticas públicas, questionando se aquele elenco realmente possuía a qualidade esperada de um campeão. E ele não estava sozinho. Diversos analistas apontavam dedos para números que pareciam modestos demais: um total de pontos que não impressionava historicamente, um futebol pragmático em vez de ousado, e uma falta notória de espetáculo ofensivo.
A verdade, porém, é mais nuançada do que simples crítica. O Arsenal de Arteta conquistou o título não pela beleza do jogo, mas pela consistência. Em uma Premier League cada vez mais competitiva, onde gigantes como Manchester City, Liverpool e Chelsea investem bilhões, manter-se competitivo já é um feito. Os Gunners eliminaram a fragilidade defensiva que os assombrava, construíram uma mentalidade vencedora e, acima de tudo, conquistaram pontos que ninguém conseguiu tirar deles.
Sim, o futebol foi pragmático. Sim, faltou açúcar nos gols. Mas em um campeonato de 38 rodadas brutais, onde cada detalhe tático pode definir temporadas, chamar de “pior campeão” uma equipe que foi mais consistente que todas as outras é, no mínimo, injusto.
O Arsenal provou que é possível vencer de forma diferente. E talvez esse seja exatamente o ponto que incomoda alguns puristas.
Fonte: Trivela
