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Pela primeira vez desde 1990, as semifinais de uma Copa do Mundo contam exclusivamente com seleções que já conquistaram o troféu. França, Espanha, Inglaterra e Argentina são os quatro nomes que seguem vivos no torneio, e esse resultado não é fruto apenas do acaso nos gramados.
Na verdade, a Fifa orquestrou esse cenário através de uma mudança estratégica no regulamento. Antes mesmo do sorteio dos grupos, a gestão de Gianni Infantino utilizou o ranking mundial como ferramenta para desenhar o chaveamento da competição, posicionando as quatro maiores potências em lados opostos da tabela.
A jogada foi astuta: Espanha e França, respectivamente primeira e terceira colocadas no ranking, ficaram separadas, assim como Inglaterra e Argentina. Dessa forma, o encontro entre esses gigantes só seria possível justamente nas semifinais. O regulamento funcionou como planejado, garantindo um espetáculo de elite nas fases decisivas.
Essa não foi a única manobra da casa. O ranking da Fifa também definiu os cabeçalhos de chave no sorteio da fase de grupos, concentrando poder nas mãos daqueles que historicamente melhor desempenham a bola. Resultado: as seleções de maior currículo, de fato, avançaram.
Para muitos analistas, a medida é controversa. Enquanto alguns argumentam que garante partidas de altíssimo nível e maior audiência global, críticos apontam que reduz a emoção do inesperado — essência do futebol. Afinal, a história do esporte é repleta de Davós derrotando Golias.
O feito histórico, porém, está aí: França enfrenta Espanha enquanto Argentina duela com Inglaterra. Campeões mundiais em ambos os confrontos. Uma semifinal que resume décadas de tradição, títulos e excelência tática. Para bem ou para mal, Infantino conseguiu o que pretendia: um desfecho de blockbuster.
Fonte: Trivela
