Foto: Earth Photart / Pexels
Pela segunda vez em quatro anos, o Marrocos esbarrou na muralha francesa na Copa do Mundo. Desta vez, porém, o gosto amargo da eliminação é ainda mais difícil de engolir. Os Leões do Atlas caíram nas quartas de final para a França nesta quinta-feira (9), em Boston, com um placar de 2 a 0 que não reflete completamente a história do confronto.
Em 2022, quando enfrentaram os Tricolores em Doha, havia certo consolo para os marroquinos. O gol relâmpago de Théo Hernández nos primeiros minutos e o polêmico pênalti não marcado em Sofiane Boufal criaram a sensação de que a seleção francesa, mesmo em seu auge, era vulnerável. Havia margem para arrependimento específico, circunstancial.
Mas agora, em 2026, o arrependimento que vai assombrar Marrocos é de uma natureza completamente diferente e muito mais corrosiva: o de nunca ter realmente se entregado naquela quinta-feira em Boston. Em vez de atacar com toda força e criatividade disponível, a seleção marroquina optou por uma postura defensiva, tentando minimizar danos contra um adversário que, claramente, estava muito mais motivado e afiado.
Os números revelam a tática fracassada: foi preciso aguardar até o minuto 83 para que Azzedine Ounahi finalmente tentasse algo mais ofensivo, com uma finalização colocada de fora da área em ação que envolveu Achraf Hakimi. Um gesto solitário de esperança em um mar de cautela.
O Marrocos tinha argumentos para competir. Sua defesa é sólida, seu meio-campo criativo, e sempre existem chances em jogos de Copa do Mundo. Porém, escolheu a rendição antecipada. Não foi derrotado por um adversário inalcançável, mas sim pela própria falta de coragem em acreditar que poderia brigar de igual para igual.
Este arrependimento, o de não ter tentado, promete ser muito mais duradouro e penoso do que qualquer discussão sobre árbitros ou lances específicos. É o remorso de uma oportunidade histórica desperdiçada.
Fonte: Trivela
